Açaí liofilizado pode ser uma alternativa econômica para milhares de famílias que coletam e trabalham com Açaí

O Secretário de Estado da Produção Rural do Amazonas, José Aparecido dos Santos, recebeu na manhã desta terça-feira,21, a visita do empresário Antônio Carlos Tinoco, especialista em açaí e com mais de 20 anos trabalhando com o fruto, que disponibilizou diversas amostras de alimentos “liofilizados”, o processo que pode, se for instalado, garantir a exportação de milhares de toneladas de alimentos do Amazonas para o mundo. O processo é a Liofilização, que consiste na extração de mais de 80% da água dos alimentos por sublimação, mantem o sabor original e garante a conservação do produto. No caso do açaí, uma tonelada de polpa, após o processo vira 180kg de pó. “É um processo extraordinário que pode abrir um mercado gigantesco para o Amazonas em exportações. Açaí, camu-camu, peixes, frutas… diversas oportunidades numa só”, reconhece José Aparecido.

Os estudos para esse processo tiveram início nos anos 90. E contaram com a colaboração de diversas instituições como Universidade de Campinas (Unicamp) e Instituto Nacional de Estudos da Amazônia (INPA) entre outras. Para o AC Tinoco, autor de um livro sobre todas as possibilidades do açaí, a instalação de uma indústria de liofilização no Amazonas, pode abrir as portas para muitos subprodutos, além da polpa do fruto, bastante valorizada nos mercados nacional e internacional. “As sementes podem gerar um subproduto, já com espaço no mercado chinês, que é o chá e café de açaí, provenientes das sementes do fruto. Imagina o tanto de matéria prima que o Amazonas possui para essa indústria. É um sonho meu fazer isso acontecer”, revela Tinoco.

A industria, de acordo com o projeto apresentado, vai ser móvel, instalada em uma balda de 30 metros de comprimento por nove de largura. “Poderemos atuar em qualquer município do Amazonas, na safra e na entre safra. Fazendo a primeira, é uma questão e tempo o investimento do setor privado”, defende Malvino Salvador, do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam). “É uma oportunidade de grande valor que temos de implementar essa indústria, com mercado garantido na Europa e na Ásia. Estamos otimistas porque os bons resultados já são comprovados”, revelou Malvino.

O projeto será apresentado ainda esta semana para o Governador Amazonino Mendes.

 

  

 

 

 

O PROCESSO

A liofilização funciona congelando o alimento, depois é encaminhada para a câmara de vácuo e aumento gradativo da temperatura, reduzindo-se deste modo a pressão circunvizinha, o que permite à água congelada no material passar diretamente da fase sólida para a fase gasosa sem passar pela fase líquida(Esse processo só é possível devido ao calor extremamente baixo de pressão que o alimento é submetido, a pressão reduzida em alimentos altera o ponto de vaporização da água contida nele, sendo assim, quanto menor a pressão que um alimento é submetido, a água dentro do alimento, terá também um ponto de vaporização menor, tornando mais fácil o processo de sublimação) – de modo similar àquela que faz com que os cubos de gelo não utilizados encolham em um freezer frost-free – sem entretanto destruir-lhe as propriedades nutritivas, pois mantém intactas as paredes celulares[1] que seriam destruídas na evaporação.

O índice de água extremamente reduzido,  resulta na inibição dos microorganismos e das enzimas que normalmente estragam ou degradam a substância. A aplicação do vácuo elevado na liofilização faz com que o gelo sublime muito mais rapidamente, tornando um processo de secagem deliberado. Uma câmara fria do condensador e/ou as placas do condensador fornecem uma superfície para o vapor se solidificar. Estas superfícies devem estar mais frias do que a temperatura da superfície do material que está sendo secado, ou o vapor não migrará ao coletor. As temperaturas para esta coptação do gelo estão tipicamente abaixo de -50 °C. Se uma substância desidratada por este processo for selada para impedir a reabsorção da umidade, a substância pode ser armazenada na temperatura ambiente sem refrigeração, e estará protegida da degradação por muitos anos. A liofilização tende a danificar menos o tecido que está sendo desidratado do que outros métodos da desidratação, que envolvem temperaturas mais altas. A liofilização não causa, geralmente, o encolhimento ou endurecimento do material que está sendo desidratado, e os sabores/cheiros permanecem, também, virtualmente inalterados.

As soluções líquidas desidratadas por este processo podem ser reidratadas (reconstituídas) muito mais rapidamente e facilmente porque deixam poros microscópicos no pó resultante. Os poros são criados pelos cristais de gelo que sublimaram, deixando aberturas ou poros em seu lugar. Isto é especialmente importante quando o uso é farmacêutico. A liofilização aumenta também a vida útil das drogas por muitos anos. O processo é usado para produzir o sorvete de gelo seco, a comida para o exército em operações de sobrevivência militar e a comida dos astronautas. É também popular e conveniente para mochileiros (atividade comum nas regiões montanhosas é chamado às vezes trekking) porque o peso reduzido permite que carreguem mais alimento e reconstituí-lo com água disponível. A liofilização é usada na manufatura do, leite em pó instantaneo, café solúvel e por indústrias farmacêuticas.